08/10/2010


eu mando para o ar mísseis lisérgicos cadentes
minha satisfação é estritamente aérea
mas a natureza faz a queda
e daqui eu ouço o esôfago dos buracos negros de sabão
num hino peristáltico que procura pelo Seu Madruga com angústia jeans

o ar me manda mais uma chuva pra minha coleção
houve um segundo de limão onde me falaram da mídia etérea da galáxia vizinha
os repórteres com microfones de seringa e veias de churros
mas os esboços de espuma pulsam aqui, meu pé formiga
todos aqueles sabonetes que atravessaram o ralo
me enviam mensagens, meu pé é uma urtiga
eu peço demissão de apresentador do reality
e deterioro sem a heroína e o hierosgamos
faz um milhão de anos que enviei meus mísseis de vidro furta-cor
a urtiga e as virilhas são uma só carne e margarida

meu arcoíris com seu cajado de geléia
canta com as paredes das cores a libação peristáltica
enquanto o vermelho cai, e o violeta logo atrás,
e o preto e o negro e o carvão
o mediterrâneo de Plutão tem manuscritos de cristais
minha lacrimogenia treme só de imaginar

conditus in palea a stupido comedetur asello
não tenho medo de latim, mas de noni
eu só sei ler falos, mas não importa
a briga se abriga no rescaldo longínquo
bolo alimentar de pelúcia de vodu
amarelo e sol e pereba
poema de clorofila
pedofilia de anilina
clarice lispector em pó
minhas bolhas não tocam o chão

então com poderes de hipnose os habitantes de Rotina
cantarolariam a Canção da Rotina
mas ela não existe
eles apenas desenvolveram dedos e olhos titânicos
e entortam meus mísseis como uma colher
minha baladeira manda dizer que pro Anticristo ela se chama Sansão Dalila
duvido que ele encara chá de boldo
e esta afinal é a canção do boldo
um funk lisonjeiro, um pombo amargo
um canário amargo na sua boca
suas gengivas com catapora de paixão
alice, seu moleque meu



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