você me arrepanha de um cântaro a outro
a que a sordidez vá ficando
e o caminho, no final, sem servir, apodrecido
através do resquício do fruto do jejum
uma visão do ângulo original
como foto nunca tirada
mas bala dentro da cabeça, bala de névoa
matéria rouca de antes do Charme - e quando você
é a lembrança disso e o sinal e eu não acho você charmosa
e o sinal sem charme numa época perfumadíssima
eu cedo, eu cedo, eu canto
e logo apanha animais lentos
a que a minha vegetação prolifere esplêndida
apesar de opaca - a pele do filhote mais antigo
oferecida ao meu sono em pé como olho gritante
e cavalheiro
e uma série de sinceridades contrabandeadas
de quem uma vez as roubou
postas no prato como pinturas a que eu me alimente
tosco e hipnótico e natural como aviõezinhos de carniça de cristal
para a boca prodigiosa preguiçosa pródiga
a que eu não pense
em desilusão recém -
a que eu não sonhe nunca mais
que no âmbar sou refém
como se o perfil da felicidade fosse felizmente inodoro - mas ele não é,
ela cheira demais, ela cheira a ela mesma demais e desesperadora
e o seu princípio é a madeira que é a pantomima do ar querendo êxodo
o princípio de Você
é que você gosta de mim?
eu sou preguiçoso e absoluto
e toda santa vez que eu indago
eu passeio no paraíso
com as costas tostadas porque nelas eu sou branco
e minha veia é terra obediente e mareja o meu orgulho
laço lasso desliza e tomba e fenece
no ritmo de uma coisa macia
um cansaço cheio de personalidade
eu prefiro chupar papel
um cântaro na minha mão cantaria, não me esfole por falar o óbvio
é um episódio emocionante da liberdade
eu visceralmente não sei se o seu princípio conseguirá sobreviver
eu me esperei tão mal ou bem... mais
ou menos além eu estou esperando
o ser criado pelo unicórnio
para amá-lo
16/04/2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário