25/04/2010

eu não sou ana cristina césar, césar, jesus, midas, um urso

não vamos falar nem de mim nem de você:
você se retoma? estou em perigo: a palavra eu
é incansável
a plenos dedos
para nos dedilhar
egoísmo indecoroso
com pasta de dente na superfície do caos
enquanto os dentes sobram com uma cueca de três dias
enquanto a calcinha é um animal desnutrido contendo sangue
ainda
e os ossos, os ossos mesmo
se invalidam logo adiante
aquém resta-nos
nós os odiadores do que há e vai havendo
a partir da pedra da pele do cavalo-marinho
você pensa em extrair da pele do cavalo-marinho
e quando eu falo da salvação que sua da pele do nosso pequeno
confete que é um cavalo-marinho fugindo de nós sem pressa
porque nós somos absolutamente lerdos e bidimensionais
você só pensa em ganhar, e então é a extração, você me desculpa
e diz: ele sua na água, não adianta
e você não extrai
e eu também entristeço, eu sou o seu mecenas, e o seu mercenário real

a partir de desde quando escrevemos para queimar tudo após o coito
não interrompido? você me indaga e se enriquece
com meu rosto impossível que nutre o sonho, eu não acerto em arcoíris harmônicos
mas nele eu acerto, no sonho de quem eu sou
a partir do jogo indispensável entre responder e perguntar - logo ali
a próxima dúvida, a próxima cartilagem, o próximo tendão,
o próximo símbolo, a próxima lonjura
e para nós que sonseamos
e para nós queridos líderes do prédio virgem de homens-bombas
para os senhores avulsos da cidade alimentada
quando a ceia há dois mil anos foi feita com música ambiente
intravenosa
o primo de longe que chegou
para incompreender de outro modo tão mais salvador

baby, tenho corpo demais pras minhas metáforas
se eu sou capaz de matar? se sou capaz de me matar?
mas eu estou sendo educadíssimo com tudo
e só não tenho o bilhete para a roda-gigante
eu não posso asfixiar a tempestade, e nem interromper
o fluxo de mel das comissuras do meu monstro
tampouco fecho o olho dele, eu amo suas sobrancelhas monstruosas
como um aleijado sem ar
mas eu tenho corpo e demais, e não é o cansaço do suicida-mor
eu me esquivo e uivo
baby, queime o que eu não fiz, inclusive esse poema aqui

baby se recusando
a fazer o poema comigo
você não é puro de coração
porque eu fui chamado de puro de coração
você não se envolve, e joga a rede na grama
peixes e minhocas se multiplicam e desesperam e os cavalos-marinhos
dão corda na minha saudade de palha amarga
o nosso hino nacional: oh palha amarga, vós que não existis!
o diafragma da alegria - por um pequeno desvio de lugar
no quarto pé da polaroid

eu queimo tudo quando vivo, é o meu ritual mais terrível
um dia - aceitar, um dia - queimar também isso
eu achei o meu grupo, nós pedimos para que queimem,
nós pedimos meio incertos

eu quero que você queime tudo quando eu morrer
você não precisa se aproximar da água
minha fogueira sem bruxas, e sem perfume
você não precisa tomar banho
mesmo quando eu me for
meu priminho, queime em paz
eu levo a guerra para longe da criação
você arrepanha minha ironia e a chuta para o inferno

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