26/03/2010

material do esôfago

de fato
meu sabonete acaba

as feras são cansáveis

eu grampeio demônios em anjos de gelo
minha batalha
minha tesoura
minha boneca


processo de uma xícara
latejando diluída
vértebra violada por tão insubstituível sacramento

campestre ou inflável
um morto sempre amorfo

os seios da feiúra me avistam
eu totalmente incauto
sem nenhuma vassoura
eles são corpos de ósculos amargos
produzindo docemente por minhas vias

o fóssil da música
se esfregou no meu rosto
não doeu
eu me tornei armagedon de um náufrago
e o buraco do alfinete
virgem pela primeira vez

quis me enganar o fruto
herdando-me palavras minhas
a única morte importante é a primeira
esse insistir de ritos enquanto eu só sou 
um pêndulo
num mito
meu entusiasmo sem brinde, sem fricção,
solo e laxante, vagarosa alegria
eu
me
preocupo
com o principal
do bule
e que nenhum sono é insano,
e que há insônias não tão más
de fato vou para o casamento

o fato mais grácil e cheiroso
o fato menos forca e foice
menos sangue e célula
coice


notícia de um joelho suave no esôfago

a igreja toda ante a notícia
sem nada fazer
inclusive sem pausa
o casamento é eterno


pedra cega de propósito
essa minha fronte de rugas

a notícia se exalará até
a fundo das portas
minhas sobrancelhas encarceradas
flutuam, sem fato

ele já se foi daqui
continua atravessando os outeiros
ungido do perdão extremo
de não poder ficar até o fim dos livres

meu poema sem ciclo
meu poema sem ciclo




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