22/03/2010

a intuição dos moleques

e em algum lugar do mundo: és
através de um urro chegas: pés
os insetos fazem o que fazias
dobraduras as mais comoventes
cada uma delas um inseto sem dentes
o sonho responsável por te guardar
o sonho, o sonho não: não se importa de despido
ser
e é, louco, ignorado, evitado, inabitado
cândido e gripado de um homem
que incessantemente se cumpria
pedindo-se,
em tal engaste
e assim tu, imagem, tu obedeceste a virulência e a ceifa,
tão em compostura - elas, com aquilo que depois,
escrito por ti sempre quando suspiravas,
chamado foi biografia tua -
na obediência na tormenta na escada clara na fresta desalmada
na fresta desalmada, no gomo, no aperto,
no ensaio primal
do milagre
tu o ensaiavas, até conseguir-te você
aí você criava, você me criava, você me sabia,
e fósforo riscado: algum ponto: o nosso ponto
entre a tundra, as árvores pintadas, as moitas,
o pântano e o campo sem homens
e nós dois através do ponto aceso
na outra margem, na asa ancorável do pássaro
que nenhuma das suas duas, mas outra, outro pássaro
que não o pássaro que eu sou para você; não
o pássaro do amor, mas o
pássaro de um bird,
o que um pássaro ensaia
em leves e ríspidos ímpetos
de espirros no nosso oco, no nosso oco
incomunicável, oh você de quem agora eu vou falar -
o cântico, o chamado, o telefone,
mesmo o ter-se dentro do meu pescoço para o meu oco
a assistir o ensaio do atrapalhamento
do nosso pimpão,
queda por queda,
livre por livre
de cada incesto, de cílios franciscanos
nossos olhos, de colheita a nossa palha
e de ar os nossos braços, meu irmãozinho,
nós, os displicentes amputados!

daqui, desse menino sem braços
e cheio de primaveras sorrateiras
chamado a rastejar-se para elas
para aí, aí onde não sei,
onde o estar sente amor sacrificial por você
porque ele só pode entregar
e você ir
pelo remanso de braços de margens
ah meu moço, só nós sem eles
e somente nós transformados em "aqui"
quando a porta da sua cabana for arrombada por mim
e a minha cabana espancada por seus pés
utensílio frágil se chocando
e as migalhas alegres, como a valsa,
tudo sumarentamente campestre e vespertino;
agora eu paro.
sem hora, sem condição, sem início,
é a vez.
eu venho, e você vem, e trazemos um ao outro
na barriga Dele.
nas narinas, não importa, nos braços...
a Íntegra e Só foge pela porta destruída
e os átomos soltos se têm uns aos outros.
você se aproxima da minha falta de dedos,
e eu me aproximo da sua falta de dedos,
nós singramos um pelo outro,
eu só termino esse poema
quando ele se cumprir.

lençol esgoto,
lençol esgoto,
lençol esgoto.
devagar esmero
zero cheio por dentro
sanguessuga sábia.
lençol esgoto, enxuga-lava-de-narizes.

explode o universo e coça aonde está coçando
como se seguisse conforme as digitais
nascendo tudo até a respiração

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