18/03/2010

Elegia por um triz

quando, ao aproximar o corpo
das tuas têmporas, tão-só
rocei minha escultura de baba e fogo
e quando, ao aproximar o corpo das
tuas têmporas à minha escultura
de baba e fogo, roçaste
e o fogo e a baba, aproximados,
desmaiaram no anfiteatro das
tuas têmporas
não sem antes se fundirem, e depois se
fundirem às tuas têmporas
o esfregado que não as desculpas,
que não as promessas e vitrines do imo
meu ricochete, minha mutação,
minha finalidade de glândulas
e tu e todas as tuas têmporas
na minha região sem sinal, elas antenas
em mímica apática e
transfusão telepática
de partos
todos os partos a mim pertencentes
esfregando meus partos nas tuas têmporas paridas,
segundo a baba e o fogo

o quando e a vez da aurora de outrora
mostrada a mesma do próximo agora,
segundo de baba e fogo, hora de lava e saliva
à mercê das sílabas sem olhos
esfregando a salina
nas costas anfibissanguíneas
quem de mim instrumento quem de ti
quem de ti instrumento quem de nós
instrumento roçando e de si acontecendo canto
nas Têmporas Intêmporas
do Inintuível
roçando-se
a par
na raiz do nosso pêlo –
há 1 espaço vital de um terceiro, um filósofo,
uma mandíbula, uma mordaça numa
mandíbula,
a traça na areia
que repentina come
e dá nome
à forma possível de performance:
“amor”

o terceiro que há a partir de nós ou não
testa o sangue do anfíbio
ele come suas moscas
quando enxuga as palavras do rosto
e se despe lentamente de silêncio – o anfíbio
muge
e o sábio descasca
vagalume puído, traste, guardião
o-que-denomina perdido
criança que pronuncia não chamando
porque é perda de tempo
tricotar um nome sem título
no céu do próprio abdômen,
escória de pedra preciosa,
hieroglifo e roçadura
quase eternos se não fosse tanta tontura

aqui e onde a vitória portátil
de nós perdendo o tempo

catapulta de flutuância
matéria intuída de formiga-de-fogo-gigante
quem de nós preso nas pernas do brinquedo, senão nós
e a festa
nós e a festa
nós e a festa
punho comezinho fechado para abrir, aberto pra fechar
a festa tão desproporcional
fogo de um núcleo além do vulcão
baba de uma boca além do rosto

por triz por triz por triz por um triz
e a plenitude atura a atriz
no único não-giz e não-carvão
a vida atua no exato triz

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