03/10/2010

Plutão como uma galinha

minha lágrima natimorta só terá sentido quando estiver dentro do sol - de dentro do nariz ela vai sair,  ultrapassando o catarro, minhas penugens e perguntas e minha pena... gélida, gélida, a sorte só me dera penas roubadas de Plutão - com a lágrima eu escreverei um poema sobre a dor inesquecível daquele planeta sem memória acordado de um em um segundo para ficar mais nu, com um couro coruscante deserto de admiradores - eu encomendaria admiradores secretos para seu púbis - mas eu tenho estado muito ocupado para matar meu rivais e sua baba - e muito atrapalhado para o sol - talvez meu tapete voador conseguisse ser macho até conseguir penetrar - minha lágrima feita da minha língua, cuspe e caspa, já secou por causa do calor, e daqui, desse nada de pelúcia calorenta, desse gêiser mentido de trigo, eu escrevo um poema sem a lágrima rimando pena e esgrima, mas eu não sei lutar, eu sei lutar com o que eu sei, eu sou o que eu consigo lubrificar


mas tudo o que eu sei
é que Plutão está cantando
ele está cantando muito
há uma censura mineral
aproximando-se vagamente
da sua boca
algum bandeide falso disfarçado de esparadrapo
algum esparadrapo de diamantes

mas tudo o que eu não sei
é que Plutão está cantando
sobre o meu poema
e tudo o que eu vejo
é uma galinha imitando um menino
suas asas não voam
porque agora são canetas

eu sei porque ele está cantando
"não é sobre mim"
eu tenho certeza que eu sei porque ele canta
"você não escreveu sobre mim"
eu reconheço isso, isso ainda está deixando desejo
isso ainda está desejando a me deixar

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