02/09/2010

Lolito/Popeye’s psalm

ó lívia paleta, invoco-me eu, de corzinhas canibais
pálidas sob a pista de nácar,
sobre vós patino, enferrujado e menino
em contato e castrato com este gelo quente
que vos deixa foscas, tão quente e transparente e amador,
eu deslizo diletante e letal e firmemente na tua página, pátina de honor,
ó ventríloquo ventre de rimbaud
anai em mim! anai!

a briga obriga uma torção
tornozelos de desertos torcem e fá-los elevar-se
tua cidade agora à flor da pele
tua timidez e distração
minha gravidez e aberração
abriga a distorção
detectada ditadura nenhuma
cara queimada de gordura da bondade

oh bússola manancial do feto testostérico
oh bússola sonambúlica
oh bússola lúcida e lápis
minha saliva é mãe siamesa da miragem
meu livro é um vale erétil tristonho
meus desenhos cochilam nos meus ombros
e pedem leite para sempre
e eu só tenho dentes de leite até os 7 anos
aos 8 eles se transformam em dentes-de-leões
os traços pesam justiceiramente
compondo algo no sintetizador
que me faz pensar mil vezes mais lento
criando no clavicórdio da minha nuca
altar
oferta córneas e escleróticas kengas
à abismal glande abstrata
podre de amor

meus olhos ícones claustrofóbicos
janisjopliam a tireóide que os enxota
globocularmente libertados. isto
é um haiku ou um palíndromo?
pois tua graça deixa que eu faça uma pergunta
a mim mesmo
em plena ode a ti; demais ódios são gangorras
inocentes
que nada corroem da impecável focinheira elementar
do meu acessório espírito
pego em sossêgo por teu flagrante vibrátil

apocalipses vibradores
fazem minha paz ter formigamentos
sinal de alzheimer? autismo? all-aids?
all-mine-portishead-grito-eterno?
oh tamanduá covarde,
livrai-me com a tua boca da paródia e da porfia
que a paranóia em si me enfia
tua boca é uma sensação
ou ela come a sensível habilidade de menoscabar-me
até as migalhas fagulhas proustradas do uivo
no alinhamento planetar?

oh moleques tibetanos
maus samaritanos
roem minha língua
e me deixam com tradição de sucção nenhuma
calma, minha carne encoronha-me e suscita,
óoh eu soluço, e sussurra, agora sim, amém, e murmura,
e se arrepia em continência e butoh
o exército frívolo dos poros
pateia ritual pelo corpo em antipégasus
você se escandalizou?
eu respondo aos meus furos: não, e eles não sangram,
tampouco sagram o chá de sangue do sábado
saga apenas, saga letarga, saga, saga,
suga (ainda que eu chupasse as línguas dos anjos)

mudra
madre
maconha
Deus é mulher, e verão
e vera, Vera Verão
não o varão com que sonhava abraão.
Deus se chama alice, ada ou eva.
O Senhor é um anjinho
caprichado, ele só tem que melhorar a
letra, mas já está completamente alfabetizado,
Ele só é uma peste.
o senhor deve bater muito Nele. deve
derramar água em seu corpo, é um menino porco
imagine um javali
depois faça a piada e diga que ele já valeu,
mas é a piada quem não vale nada,
não ensine o valor de nada a ele, ele vai aprender
só, eu boto fé nele, ele vai aprender a
lamber com amor, amém,
a mão, a mim, ateu, a nada. só teu. e de
mais ningay

Um comentário:

  1. Que grito doce e bonito.

    Eu talvez fosse mais feliz se tivesse conjugado o verbo janisjopliar quando era uma criança.

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