16/08/2010

nós só esprememos uma espinha de Deus ao mesmo tempo

repita comigo: você repete "late!" você repete "late!" você repete "late" você repete "late" mas o que você repete não faz,o que você repete pede, e o seu cão não tem direito a um Juízo Final, latir por quê? repita comigo porque eu me esqueci: eu me lembro, eu me lembro, eu me lembro, eu me lembro, então depois da mandíbula se transformar numa ratoeira, na mais tímida ratoeira para um camundongo com soluço na odisséia, depois você tenta se libertar do gravador e me diz: repete comigo: eu me lembro e depois? eu me lembro e depois? eu me lembro e depois? e depois de "eu me lembro"? você nunca viu uma menininha beijando com lascívia a boca de um cão, mas eu ouvi, mas eu ouvi, ou eu ouvi ou você me viu ouvir e fugiu - você fala através das rachaduras dos pés, e eu domino seu soluço magicamente sem feitiço, eu realmente não sei como, como, como, como eu consigo isso, sem feitiço, sem tremer, minha perna tremeu mas não era eu, minha perna era ela e eu fazia careta e a careta é que eu não era, a careta era uma careta perdida de repente empurrada contra minha cara que jazia morta sentindo um cão cavando, um cão cavou, um cão cavoucando, um cão me cavou, e eu não estava calvo, eu possuía cachos de cabelo repetidos, uma coleção, uma lição, um novo idioma: repita comigo: eu não posso latir, eu não posso latir, eu não posso fazer isso de latir porque meu rabo desapareceu, você errou, você precisa de uma borracha de uma borrasca? de uma bochecha de uma borracha não me atrapalha não se atrapalhe uma borracha mansa apaga isso isso isso, respira estrangulando os mosquitos, respira podando a poeira, poda a poeira, poda toda a poeira já que você se chama limpeza ou esforço, mas conserta, agora, vai, eu te ajudo moço, vai, conserta, AGORA: tá bom, meu rabo não desapareceu, eu mesmo que perdi ele eu perdi meu rabo não foi o rato que roubou eu o deixei longínquo meu rabo meu rabinho. Não precisa repetir isso isso é comigo isso sou eu um dos espécimes da maldade em mim hum hum eu vou falar, é que eu tô com vergonha, não, não vergonha de falar, eu tô com vergonha agora de estar vestido na sua frente, eu não sou russo, eu não sou de setembro apesar do dia 28 de setembro, eu não sou um arqueoptérix nem um rádio que só chia, na verdade eu sou uma coisinha portátil pedestre e sedenta que um dia, seja porque a mais maravilhosa formiga-de-fogo me pique, ou eu consiga ter lepra, eu usarei um vestido, talvez um exemplar medíocre das folhas de Eva, aquelas folhas trançadas hibernando dois espaços logo depois do pescoço, você pescoça? você coça seu pescoço? você infringe? você febre? eu te tango, eu te lepra, eu te vitiligo, eu aceno para a leva de sêmen que a sua camponesa de dentro leva escondido para fora da aldeia, eu aceno para o seu sêmen e você pensa que eu estraguei tudo cochichando “sêmen” assim no pré-clímax, eu aceno para o seu sêmen e você é biruta? você é empresário! você é político mas gente olha eu aceno pro seu sêmen eu chego a acendê-lo no fundo do oceano que é o ventre da minha camponesa de dentro roubando sal do mar pra botar no meu couro cabeludo, vós sois o sal do meu couro cabeludo, eu domo minha iconoclastia e minha seleção natural sem nenhures sentido, mas se os nossos pais repetirem na beira de uma poça de poeira “couro cabeludo, couro cabeludo, couro cabeludo”, eu aposto que nós dois nunca jamais vamos ter piolhos! é um feitiço que vale a pena, mas eu me perdi ou perdi meu rabinho? você se confundiiiiiiiiiiiu! iiiiiiiiiiiiiu! ïïïïïïïu sim, moço!! há uma menina que canta assim: “minha boca chora”: no primeiro momento eu morro de inveja no segundo momento eu já não morro morro de inveja, eu só esmurro a pelúcia e ela se transforma em cosquinha, não, estes são os inevocáveis monstros, essa infantil linha paralela a você, esse feixe adolescido e sulfúrico com cheiro de canela vinda da luz da estrela mais morta de todas mortinha da silva mortinha roída por um rato maldito essa história sinistra, esse orifício agnóstico que não passa de um poro de um porífero sem boca – ele ganha boca e passa do lisonjeiro porífero ele arranca na frente humilha as luzes do escuro onde o Senhor foi colado, o álbum de figurinhas está cansado, as bordas começam a suar, é assim, toda vez que está cansado começa a suar, lambe o suor das virilhas, limpa o pescoço sujo da casa, mata os vampiros agiotas e começa a pegar fogo num tempo desses, ele não está mais aqui para suspirar o próprio perfume, é que ele jamais imaginaria que ao cair duro no céu ele ia exalar exatamente o seu perfume preferido, ele que escolheu, escolheu, encolheu o eu engrandeceu gritou e deu um gritinho agudo e operístico e borrão e desonesto, um demônio desmunhecado segurando as duas mãos trêmulas de uma síndrome com menino, de uma síndrome com menino, de uma síndrome com o menino com as mãos manchadas e preênseis, preênseis significa a mola que te puxou e quebrou e fez você pensar que eu estava olhando para o meio do seu livro sem lê-lo, você acabou pensando que eu chamava o sêmen de microorganismos. as bochechas das camponesas estão em migração, então as nossas camponesas que existem através de um ronrono prazeroso de dois gatos fazendo amor e mostarda numa só corda bamba a 3 anos-luz do chão, as nossas camponesas não se assuste ao imaginar ao tê-las ambas alojadas na estante onde você fica com vontade de ser um objetinho só pra ficar ao lado dos seus objetos-carícia, dos seus objetos-urtiga, das suas torturas sem apetite se o prato é sadomasoquismo ou uma formiga-de-fogo morta por uma gota de xarope, não, não, não! aleluia! aleluia! ao caso daquela que morreu por uma gota de sêmen que um de nós vomitou por refluxo, aleluia! a fidelidade pestaneja livremente, é como se eu pudesse ter gravado o que aconteceu no instante em que todas as domésticas do universo ficaram inspiradas, e eu desço um lance do seu púbis, eu repito púbis só ao púbis mas você por algum suspenso milagre plana sabendo, cai sabendo, sabe ficando no vácuo, eu me pico com uma abelha disfarçada de bíblia, eu chego ao campo desfeito da sua nudez, eu não ensino a grama, qualquer professora moribunda sequer dedica seus últimos miasmas a mim, eu me aproximo da sua medula e a sua bio me penetra com medo, com leviandade, com impureza e majestade, e consigo mesma, ela me acalma e sussurra “entre aspas”, eu entendo o que você quer dizer com “entre aspas”, não, o que você milagrosamente disse borrifando “entre aspas” em respingos à quarta dimensão do meu semblante cubista. você não está acostumado a utilizar absorventes de madres-superioras domésticas de dinossauros, você tem medo de pegar alguma possível doença, seus olhos são dois microorganismos cheios de santidade para um arqueoptérix OU PARA UM ENTE MAIS PRÓXIMO E MAIS FAMILIAR E por enquanto sem amor, sem nenhum amor, para uma lesma feita do seu sêmen com o meu e as bochechas arrancadas das camponesas do fundo do nosso............. . eu não sei mas eu não estou mentindo ao encomendar do País da Questão uma dúvida grávida. ela deseja. ela tem nojo de minhocas. ela tem nojo de mostarda. mas é uma mentira quando ela pega uma minhoca (como um tamanduá triste) e pega uma mostarda feita de perfume predileto e, toda cabisbaixa, passa uma na outra e engole de uma vez pra não sentir o gosto purgante. mas é pulsátil. e eis a mentira: não é ruim, é uma mãe. é uma mãe com uma mão a mais, mas essa não é pro filho. é a mão que o menino desejou que a mãe tivesse a mais. era uma mão que era uma verdadeira mãe para o menino fiel. é também mentira você ter pensado que eu te chamava de verme, você sonífero para vermes. eu cheguei só ao meio do livro. eu tenho que chegar ao final disto aqui com isso “eu cheguei só ao meio do livro.” mas o choque não desceu pela água e me pegou de jeito e te pegou de jeito através do meu dedão colado no seu mindinho. eu não morri você morreu não, e eu consegui empurrar seu mindinho esquerdo do pé pro oeste. ele quebrou e não se recupera, só pira. por que você me chamou de caçula por por por que eu te chamei de caçula? alguém aqui tem que ser o irmão mais velho. o irmão mais velho estava estuprando mostardas vencidas (algumas intrépidas mostardas burras conseguiram fugir de você, você está chorando com a boca agora ou está com as sobrancelhas atravessadas no corpo de Cristo? você prometeu vingança a elas, você é um deus irado, você proporcionou o dilúvio até às mostardas insurretas de amarelo mais esplêndido) e cadeira-de-macarrão, você... já... morreu... numa... cadeira... de m... maca... rrão...? não? de maca sim? de macabra emoção? de mosquitos com poeira de asteróide nas asas? eu nunca utilizei um rodo, eu só amei, é um absurdo, é uma sarda – você já viu uma sarda por dentro? eu vou coçar suas sobrancelhas não, NÃO, peraí, eu não tô te avisando, eu tô falando com a freira inibida que mora no meu joêlho de jabuticaba, eu tô falando pra ela que eu coçarei suas sobrancelhas e que se ela se escandalizar, então nada daquilo que nós dois fizemos de ignorante vai valer a pena, a pena de si mesma, eu não te falei mas vou te falar, não, eu não vou mangar dela, ah, eu vou sim, só um pouquinho porque eu não conseguiria ficar sem mangar nem que seja um tiquinho, sabe, só um tiquim, como os alpinistas mangam do pôr-do-sol detrás do pico, é que a freira tem uma moela, quiquiquiquqiiqiqiuiqi, da cintura pra baixo ela é uma galinha, tô brincando, ela tem pernas fisiculturais mas tem... tem o bumbum... – o bumbum dela é de galinha!!!! Mas ela é uma velhinha autista de 80 anos desinteressada em aposentadoria, ela não conseguiu terminar de estudar a origem da complicação. então ela se escandaliza, porque sempre foi tão fácil pra ela ter bumbum de galinha, ela não consegue desvendar a origem dos meus rictos, do muxoxo da minha boca, do forró que o meu nariz dança só, e das suas entranhas refletidas nos meus cílios como se um rinoceronte desesperado quisesse descansar e, deitando a um mísero ano-luz da felicidade do meu corpo, deixasse o preço de um cansaço de cometa bem em cima do meu olho, o chifre único do rinoceronte sonso unicórnio, meus cílios segurando todo aquele peso pra meu olho não estourar. tu percebeu que eu tava falando às pressas? um alienígena perdeu seu pinto em algum lugar de nós, ele subitamente apareceu cheirando ao microorganismo mais perfumado do reino das morsas. você não me viu escarrar, quando você me escarrar eu vou te ver, digo quando você me ver escarrar eu vou aplaudir qualquer pássaro que em você estiver. me sinto ressentindo, eu escrevo mais pra mim que pra você, eu acho que só escrevo pra mim, essa não é uma primeira vez no mundo, eu acho que escrevo mais a ninguém que a nós, eu já tinha escrito que é mais fácil correr com as mãos fechadas, os dedos em nó, em nós, em nós, entre a terra e suas patas o furacão, você cavou em busca do rabo perdido, eu nunca vou telefonar pra saber se você achou, isso é um átomo incomunicável, o rabo do cachorro virgem vaso comunicante eu realmente tenho alergia da ciência e meus calcanhares começam a ter frieira quando o manto de Deus o roça, mas não fica amedrontado, eu tenho frieira mesmo é entre os dedos dos pés, não no calcanhar, o calcanhar eu coço às vezes mas é normal. repete comigo sugando o canudinho de sangue até o fim: eu te destruí por mania e me construí por mania mas nós dois somos meninos, isto é, nós dois somos somente meninos, nós somos mendigos siameses. eu sempre tendo, não precisa repetir, ah, será que você vai repetir? não, não sei se é erro, mas eu sempre tendo a repetir eu sou nós somos nós somos meus pulmões são suas sobrancelhas, eu escrevo boiando, eu inscrevo em você pra ninguém, viu? sedentário perdeu um milhão de dólares coçando o cu em busca de evidências? não, nós jamais faríamos a pergunta final. calaboca, chicotinho queimado cavalinho dourado, com quem, com quem será, que os pulmões, vão se casar, loira morena careca cabeluda rainha ladrona polícia capitona estrelinha do meu coração, meus pulmões são flechas irisadas, meus pulmões estão bem, meus pulmões de catarro irisado não precisam de manicômio, meus pulmões se exilaram num asilo porque eram perfeitos e deuses o bastante e o sufocante, meus pulmões não são flechas, meu rabo de gato crescerá novamente, qualquer dualidade se veste e vai embora para o seu país, O Diabo e seu Deus que se mereçam, eu estou respirando muito violento em ti? minha irmã disse que eu respirava fedido e meus pulmões de lava flecharam a brisa, eu queria, QUERIA dizer mais que isso, um pouco mais, é que eu estou atrapalhado, as palavras são câncer fulminante e Bom Deus, as palavras são camponesas de seios arrancados para o ritual do próprio amor que elas se borrifam, você chegou duas vezes ao meio do meu livro, na letra urgente não doeu nada, doeu é um anagrama de Odin? eu pareço cretino a mim mesmo mas finalmente não somos ninguém EU ESPERO SÓ ESSE EXERCÍCIO DE RESPIRAÇÃO que é “finalmente não somos ninguém” a frase o friso o arrepio o nada o virgem o poço o mito o nada a semelhança franzida de nudez toda recolhida, toda a pele juntada num só monte, uma oração, sem resto, as extremidades espirrando para o centro agredido e triunfante, esperança, esperança? oi, alô? quem? esperança? não tenho nenhum amigo chamada esperançudo, esperancildo, esperancelle. foi engano, sua bruxa maquiavélica. você manca que eu sei. você manca no Brasil. você embelezou a pior blasfêmia. se seu nariz é uma tomada, eu posso enfiar a tesoura? se minha glande é uma usina, você pode zarabatanar uma bomba nuclear? e se nós explodíssemos o maior sapo que existe, e depois voltássemos a fita k7? uma glândula macerada sorriu por dois segundos achando muita graça na lua daltônica que viu uma miragem peluda tocando de leve o seu testículo não desenvolvido, e todos os sons perseguindo morcegos em amarelo, num traço indelével de mostarda, todos os morcegos se refugiando nos hematomas dos pássaros, as águias só não tinham hematoma no bico, então as águias ficando sem saber o que fazer para descongestionar seus bicos, empanturradíssimos de morcegos, unhas e escalpelos. eu sou bonito e você é um tubérculo, pela primeira vez, não vamos inaugurar nada. vamos chatear o equilíbrio até ele florir numa rosa-dos-ventos-incauta e vamos ver derreterem as suas vis vísceras de cera para dentro dos selvagens mais nobres e néscios, meu sexo bonito é tão incompatível com Satã, seu sexo tubérculo é tão aquém de Lúcifer, a Criação é cada folículo preenchido por um termo que se retira e um trecho que entra, um trecho de estática, um trecho de corrente de bicicleta morrendo, um trecho de dente de babuíno embrulhado numa banana a que os dinossauros jamais achem, um trecho de regra vivisseccionada, um quatrilhão de lacunas para preencher com branco, com fagulhas de cetim e feno, os espaços preenchidos com branco, cada sangue um folículo que falta ao anjo, e a trombeta e a ampulheta e a pirâmide e a arapuca e o tesseract e o theremin e o alçapão e o seu excelso excesso de exceção. eu nunca fiz sobreviver um tamagoushi, mas eu acho que é porque eu nunca mesmo cheguei ao meio do livro de um tamagouchi de todos os filhinhos herdeiros que eu tive e pós-abortei. me gênesis, me apocalipse, o que o tamagoushi tem a ver com o fim e o começo? eu não me desvio do pecado, eu, eu, eu, eu errei, eu confesso, eu nunca cheguei ao meio do livro querido tamagoushi, meu filhote tratado como eu mesmo. mas por que em todos os meus sonhos aparece, no cantinho da tela, tremendo e chilreando, um tamagoushi prostituta, sentado num aviãozinho vermelho de papel, esperando os tapas no bumbum do médico, não no bumbum do meu tamagoushi, mas no bumbum do médico que sempre acorda e faz chorar qualquer reencarnação do meu pimpão salvador? o médico ao avesso tem músculos escuros, escuros. o sol tenta chegar através das cortinas floridas, mas o que chega não é luz, é voz, voz, voz vermelha, pus ao avesso, nós só esprememos uma espinha de Deus ao mesmo tempo e Ele agradeceu com esse carrossel que não tem volta.

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