17/07/2010

olívio em noite estrelada

O caroço de azeitona vai ser a minha obra-prima? Os caroços. Os caroços de azeitona e as palavras difíceis incorporadas detrás da orelha, como mil lápis lilases enfiados ali.
O caroço vai me tornar famigerado? Quero ou não quero? O caroço ou a fama pelos caroços? Ai, não sei. O que não é novidade.
Os caróços ou carôços? meus ossos.
Jazim eu te direi o motivo de estar tão sublime. Sublaime. Não confundir inglês com os restos morais de Plutão no Sistema Solista.
Agora é ópera e novelas de cavalaria lidas de um balancete longínquo: e são tão perfeitas as azeitonas. Tão balouçadamente chupáveis. O caroço é jogado na tigela rosa-choque trrrrrz, a eletrólise delibera medo ao prisioneiro pano que forra a cuia – plástic dela aceita, entornado de hospitalidade. Mas eu sou o anfitrião – sim, eu sou ou posso ousar dizer que sou... hum, usei tantos verbos que não vou dizer o que sou agora porque estou cansado.
            Mais uma azeitona. Eu estava refletindo dia outro: Azeite – Azeitona; Oliva – Oliveira. Não é mágico? Mágicos são os óculos. Seu agressivo.
            Nos minutos finais de Laranja Mecânica, a tv me sussurrara: –Meu bom menino, corra lá na biblioteca e busque o dicionário. Eu realmente não entendi porque uma tv falara comigo como também não entendo o pretérito-mais-que-perfeito como não entendo também porque estou com um caroço inquebrável de azeitona na boca, isto é, na minha cidade não há sebos.
            “Subversivo”, oh! a tv estava certa, eu jamais saberia o significado deste vocábulo, caroço, digo, carambolas, o que será subversivo? Dicionário, me explique o que é "vida".
            E "vidinha", desvende para mim, dicionário, vamos seu subversivo, este é o seu trabajo.
Estou desconfiando que a massa deglutida verde-oliva das frutinhas está-me querendo dizer algo.
"Vous êtes espanhol."
Aaaaaaaaaaaah! Estou com a última das azeitonas na boca! como curtir isso? como percutir? pam....pam... pam... Vous êtes espanholamente cerimonioso.
Eu perduro, tu perduras, nós nos despenduramos da guilhotina, nem sei de Maria Antonieta mas me interessei, digo, da forca, e a fogueira com a clara Joana. Bebi daquelas águas onde ela fora derramada em seu pozinho mágico. Digo, trági - traje? ultraje? Se for traje – Oskar Wilde. Se for ultraje – Rimbaud. Não, não sei de ninguém, mal sei datilografar "pia", não sei nem do silêncio do Mim. Oops! (acho que falei a palavra trancada a sete frases!)
Descendo por um funil cor-da-palidez, estou-lhe sendo-me coado-te para-raios, pára-chá – para o chá de poema e louros prestar. Azeito que palei a cabavra seteta: silllllll... sopa-sopa, pa nu quebá a trava-língua... ...êêêêêncio. Cio.

Silêncio. Silêncio. O bebê dorme. É-me pedida a cerimônia. Então silent shhh. Quiet enclosure upstanding.
Um amigo meu me falou sobre skinheads.
Preciso de um desprendimento – ossos libertados – estou me desprendendo do solilóquio – no torcicolo e no tornolezo torcido – é assim que me refiro a ti – ossos destroncados – nu nu e nu. Pintei um quadro em que eu lavava o ânus por medo do mundo e de seu papel para eu cumprir. Depois do almoço, depois das duas guerras, depois da carnificina e do violoncelo trôpego, depois do orgasmo futuro. Então falo contigo e a azeitona é torta, que engraçadinha.
Neste dia das mães eu quero saldar a alegria e harmonia de comemorar/ Mãe, você é a rosa do amor./ Mãe, ó mãe, você é a rosa do humor,/ Mãe, você é muito cordial./ Mãe, você é muito legal,/ Mãe, o meu viver depende de você./ Mãe, ó mãe eu não posso te esquecer; Uma mãe – eu encontrei uma mãe dentro da torta-de-maçã feita por minha cozinheira punk, eu amo você, Azaléa. A outra azeitona se divide em dois seios, em dois regatos invioláveis onde duas índias banham, e nem a molécula borboleteante as perturbam, as irmãs escravas livres.
Foi-se e fui-me. Pelo espectro da pétala, pelo magma da flor pressionada por quinhentos canhões de romances e enciclopédias repousando na estante última. Não! eles querem o movimento. Eles querem o piscar de olhos, olhos sem grampos e – querem os movimentos reunidos que, em teatro, ressuscitam os ossos da sinfonia morta, os ossos se montam e uma bailarina fere, e então olhos sem grampos, então a nona sinfonia. Beethoven com dois “ee”.
Uma azeitona vesga risca a tez do gramofone sem grampos: Tchâââââ!... não, não há como transliterar meu idioma, irmão, toda vez que eu tento presenteá-la com um buquê eu só recebo tortas de poemas em troca.
Tremura e languidez.
A outra em coração romeno.
O charme de todos os vesgos, olijf, olijven, olijf, olijven,
Enfim o silêncio de um plástico.  Enquanto estiver contando um conto de fadas, cale a matraca sua criança levada. E escute a poesia de todas as descabeladas perucas rebeladas das horas. Silent, silent, eu não quero nem quadros para mirar. Dá-me uma máscara de cera de furos orientais, para que meus olhos captem as azeitonas de Capitu, mas isso soou pungentemente pornográfico, as palavras me odeiam e as azeitonas me anseiam, dentro delas há uma verdade mansa: palavrinhas recém-jamais-pensadas dormem o sono dos botões, mas o bocejo virá.
            Irmão, Inocência nos prepara um café. Porque franzes o cenho e os dentes? –A falha entre os dentes é a única fenda que resta. Dela há de se cegar os olhos com a luz que fugirá. Meus emperiquitamentos.
            Linear é a vizinha.
Mas pare, pare lentamente e vire o pescoço lentamente, o pescoço entornado de cabelos, desse ângulo torto talvez se veja, de soslaio, à esguelha, oblíquo e ilusão: o amor, porque o amor jamais aí esteve.
Sorrateiros vazamentos:  
Olho para a tige – não! não posso falar a palavra tigela nunca mais, senão morro, porque tigela é uma palavra tigresa eriçando suas carrapatas lambíveis.
Não, não é o meu espírito quem fala, se falei tigela foram apenas 3 vezes, e ao terceiro dia o meu Rei ressuscitou, ai, estou sentindo uma náusea, irmão, estou sentindo – olho para o garfo e ele me lembra a lança.
Debaixo, um calvário de azeitonas.
Acho que o calcanhar está emperrado numa dessas flores holandesas.
A visão aponta para uma cruz beijada num moinho a uma polegada.
Agora é esperar que minha carta chegue a ti, meu irmão Vincent. El amor actúa sin lujuria. Voa voa, tico-tico.
            

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