25/06/2010

plástico ferido

p.s.indri


de última hora
veio esse desejo de defenestrar
e a primeira coisa a ser jogada fora
foi o possível ai
vindo pós-real
porque o desejo foi realizado
o menino se tornou mais que um menino
quase abalável em todo o prédio
seu gesto único e braçal
de tirar dos órgãos e do quarto
numa cirurgia
ou xingando de olhos fechados
com tempo de ócio a dizer entreaberto ai,
ai,
porque um milhão de braços doloridos
são os dois braços
de quem não habita no esconderijo do altíssimo
de quem não habita a ciranda e a cantiga;

aos Andes ou pro Fuji
foge como fujo
e quem dera eu fosse
uma onda cruel
pintada por um japonês
foge como fujo! como outro! como nenhum de nós!
foge sem labirinto
mas a planície não alivia e nem se deixa sentar.
eu fujo e não sei escrever um poema íntegro
e só tenho duas conjunções
mas elas são o mais precioso favo dos meus fatos
meu anteparo, aparato e socorro
desde que minha irmã queimou os dedos com plástico

qualquer acidente é pouquidão
quando a última poesia tirada da janela
é o seu vômito
até o Diabo nasceu para isso...
o sangue tirado da cartola
dá falsas provas de uma vida de júbilo
mas até hoje o plástico brilhante está em seus dedos fofinhos

mas por que na quarta estrofe
depois do tarô e do unicórnio
da cruz e da encruzilhada
entre você e a janela
não estará o corpo manso
de um deus nu e autista
que de alguma forma está pedindo
mingau ou cuscuz?
por que você não nasceria
para se perder, hipnotizado
quase esquecido de ir três centímetros
e beijar, mesmo em coma?

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