05/06/2010

meu amante de dentes podres

minhas pontas respiram
relaxam
espreguiçam
trabalham
e quase vivem
se fossem mais que minhas pontas

dobram
contorcem
torcicolam
agem
e como cabelos brancos de guardas-noturnos
quase cedem a tudo
a todos os verbos

perdem
encabeçam a perda
rebentam casebres
feitos pela esperança
eles confiaram
elas arremataram perfeitamente
e o casebre se cumpriu

se fossem pontas
se fossem pontas
se fossem pontas
e na fricção eu consigo uma verdade
o opaco me arrebata
quando o bicicleteiro ruma para a minha essência
e as pontas são da primavera
e não minhas

a caixa se contém
e perde a reputação
ódio, circunstância, circo,
safra de arame, estado de sítio
peste domesticada
e a cauda dormindo

minha cauda dormindo
minha coleção
minhas essências canibais
acidentalmente mal pronunciadas
indiferentes ao modo
ao olhar do médico

o apocalipse
alheio
à pele deixada do corpo que não significava exorcismo ou jogo

minha
cauda
cauda
morta
e sortuda
no
seu
pulso
albino
e insular

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