(espaço para o tempo que até hoje eu tive
para escrever coisas ruins, para julgar todas
as tentativas de imitatio christi murchas
para retorcer mais um pouco até me comprimir
numa espécie covarde
de botão
fechado na camisa e apertado num cocorosietoy
tudo pronto pra funcionar
alguém pronto pra se vestir
toda a solda faiscando
todos os soldados sem piscar
todo o prelúdio usado
como interlúdio e poslúnio
toda a travessia como uma palavra leve
e cada “leve” usado
como noções que acabaram de acordar
e como tão quentes, e amarfanhadas, e com cheirinho
como distantes de “benefícios”, tapa ímpar, telefone, ceiça,
eu trago cada uma dessas palavras para tapear minha lucidez
eu trago até aqui roxo-açaí e ampère
pedindo às suas asas que toquem nelas sem mãos
é quase possível
é você mesmo chocar a lava
ela envolta em placenta e casca e chocolate salobre e minhocas inofensivas
e sua
todo o tempo-totem para essa visão dianteira
da nuca
seu filho nasceu e está dentro de você
e você, um pouco mais que mãe,
ouve dos médicos que é verme
e eles morrem com o vodu da verdade
ou viram consertadores inúteis de gangorra
mas eu não posso trair meus erros
pisando na vida eterna areia fofa
lembrando num compasso
“ah, mas naquele tempo eu era idiota...”
meus erros não são amigos
mas são meu pai
eu fiquei de coquinha
ao peso da sua voz me dizendo que
“leve” sempre vinha
e que a coisa não era pra você, mas pra tudo era uma
cosquinha
um feixe, um volante, um manto
eu até hoje não saí de mim
nunca a maconha chegou e o bonde
para eu partir e ficar um que não está
eu estou em todas as minhas cegueiras
e os apriscos do céu libertam seu rebanho de luz
e a luz chilreia, eu não tenho varanda
mas olho minha pele e meus olhos o gato de botas chuta-os
e latas de “ssss” são arrastadas e os plurais sibilam como bombinhas
e eu que não sou flaubert
mas também não sou eu
e emma demais
coço o plenilúnio na virilha mais ferida
e de algum jeito sem sentido feneço (eu enfeliço)
e envelheço no altar do traficante de cabelo branco
e da prostituta matriarca – eu me lenço
eu... conclamo
todos os arrebatamentos do meu corpo
que se arrepiem de suas covas
e escrevam crianças
para a glória chafurdando
em pleno chiqueiro do gesto do meu dedo
na virilha mais ferida da aurora
a nuca pródiga do bom samaritano
você que me salva e tem metáforas e um eu que não eu
não, a coisa não é o que você acha de eu criar “amortalhei a fonte com um véu”
ou que eu não saiba lidar jamais com sexo no ânus
se assusto com o meu desejo de duas horas atrás de ser possuído
você que não me salva e não tem belém alguma,
vão, tudo, pois
você acredita num Endereço?
ou que vamos ter o que contar
pros nossos contos-de-fadas
e tudo o tido será
uma rima e uma não-rima
amarradas umaoutra
cabeça a cabeça
pés a pés
já nunca tido por nós
tão sempre há muito enviado
Àquele Endereço?
o que eu faço com o acento do píjama?
meu pai se chama leno e botou meu nome de lennon
e o anjo do anjo, minha alice
botou meu nome de felício
vocês dois podiam namorar.
eu me dei conta de que não forço ser infantil
e um moleque por excelência fala bestidades,
como “vocês podiam namorar”,
“um moleque por excelência”
e a próxima: “mas eu é que quero namorar com você”
eu escolho chamar isso de
“eu preciso explicar o que disse” ou poesia
ou deixo de chamar de alguma coisa
com esse sentimento atento e sem rendas
ai, eu nunca planejei sentir tanto prazer em dizer: eu sou uma máquina de costura
esse era o próximo verso
eu prometo que eu não sabia!
tudo é sonoro e delinqüente
mas cheire as mãos do humano que você mais se opõe
é o porquê das leitoras existirem
elas lêem pra si mesmas
como toda leitura
elas lêem as mãos do seqüestrador de você
e sentem
elas são covardes por isso, a cova arde
e fica nua
e toda a ardência e delírio e corpo
zumbe para as sofredoras
e a rima e não a rima dançam na canção de ninar
um moleque assobia
ele é uma bruxa
insensibilidade à flor da pele
contragosto no lugar de agosto
pra fazer menos calor
menino, um menino não pede desculpa a outro
pelo menos quando eu era menino eu nunca pedi
mas agora que deixei as coisas de menino
e até I coríntios 13
estou nu, eu escrevo de caneta rosa, vou digitar ainda,
e vai ser ao som de cocorosie cantando this is the end of time
so let all hide and say goodbye
I only have eyes for you
oh Lord, please tell me watching me too
e eu acho que tento destruir as condições
mas ser menino é uma, muito legal,
eu procuro aquilo que talvez não seja parte do legado
eu te faço o quê rimando com gado?
pronto, essa é a minha rima. falta eu te apresentar
não a minha rima,
mas eu não encontro ela porque ela tá em toda parte
e não é pagã e cristã, mas tem acessos
de uma coisa que eu não tenho
chamada choro
flertável com você, por você dever chorar
eu não choro mesmo, mas minha mãe disse que meu pai me xingava quando eu continuava a nascer, com 1ano, ainda chorando, já nem bebê, um pré-viadinho, mas eu acho que não choro agora é de tanto eu repetir que eu não choro não chorando e repetindo
e você acredita que tudo isso é o
parênteses do início?
pra eu livrar minha composição
desse choro mimeografado
eu não passo do rascunho
e me gabo, e comemoro, oxe
você não acredita na minha miséria?
oxe oxe oxe você riu eu também
eu amo uma menina que chama oxe
e minha mãe canta uma canção dela que termina em bariloche
oxe eu aleluio oxe oxe eu canto e como as línguas dos anjos
se elas são churros
esse é o gênesis, e o apocalipse
não estou pronto pra fazer o meu I coríntios 13: pronto!
tudo sinalizando a entrega
eu exulto porque no início escrevi sobre um botão de fechar a roupa
e um outro de apertar o brinquedo
e depois eu arrumei um emprego de costureiro
antes e depois depois
não, isso não é tão viável
a predestinação é como uma barba que pinica
e minha fonte ainda está de véu,
eu não nego
e o marimbondo abre as asas dentro da uretra
mas agora, tão desironizado (a clarice fala deseroizado)
eu peço a parte que eu amo e eu sou da ironia
e então o lençol prendeu como uma mordaça na minha fonte
mas eu posso fazer com que ela assuma a forma de um suicida
e falsamente se coma
faz cocô no véu, é uma fortaleza
é uma fortaleza em alguém que tem a nuca fora do corpo
eu fiquei doido com o jeito que você falou dos músculos...
não, não o meu dado viril
mas o tabuleiro sem noção
antes de tudo, “mais cedo”, eu escrevi
“minha ambição quica” porque eu nunca havia
usado ambição.
minha neurose é meu invólucro
mas elas sentiram cheiro de massinha das minhas mãos
elas sentiram
isso é a sua recompensa
elas só agem por isso e essa é a sua paixão por mim xerocada
elas não tem mãos porque sua natureza é de mãos lançadas
e a nossa é de mãos que lançam
e são lidas
massinha de modelar, serafim e dor lo-fi
anjo virgem, a ti eu me agacho?
nenhum dos botões presta
conforme a festa
e se for pra ser leve
eu sou, porque não sou breve
é mais showgaze, mais performance,
é mais sonora a minha nuance
e a vertigem é mais fuligem
que cor na roupa da estrige.
a minha be my angel me disse
por que em vez de escrever e imaginar
alguém lendo
não escreve imaginando alguém
te completando?
ela é a alice
sou rei de um muxoxo
porque moro no Ñsei
é um reino coxo que não teve cuidado
e ficou com o olho roxo.
e a virilha impingida.
mas um dia eu ejaculei no tornozelo
sem culpa, pecado, zelo,
sem mazela, coice e amuo
mas não pensei em você
(sempre acontece)
mas antes da própria magia
meu coração se arregalou
com o que em mim se ouvia
e um trecho da minha elegia
apareceu, sorriso-taquicardia:
“imagina ele cheirando
minha virilha”
eu bati a foto na mente
tudo bruscamente abstrato
só tive a imagem nascente
não realmente um retrato
de nariz-de-joão perto da virilha selvagem
SANGUE
por que voltei ao velho cansaço?
mas é isso menino,
dá de beber ao sangue
que o vento se encoraja
basta um leve espreguiçar-se
a solda não pisca
os soldados se irisam.
me completa com a aorta oh o mais amado por Jesus
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