14/05/2010

pormenor


Ainda não sou maduro para me divorciar do pormenor; acho que já apanhei demais, e só a primeira vez bastaria para que o meu senso me guiasse à libertação – à libertação de algo que procurei com sussurros e lentidões e toda a rapacidade precisa. Então um nome possível para mim: errou de música gravado em qualquer evaporação abobalhada no ar. Mas chocar rios em termos de ‘maduro’ e ‘senso’ é planejar ou agir improvisadamente no assassinato de Clarice, para que eu passe a ser o criador de tudo o que ela escreveu, e com sua morte conseguisse isso, uma chocarrice. Não amo o pormenor – mas sou-o, e amor é crer que a partir do pormenor rolarei sanguinariamente até a morte da prolixidade, na resposta, na palavra, na não-enumeração, na objetividade do poeta, no coração apodrecível do passarinho.
Desconfio (me investigo: meu feliz, você acha que devemos imolá-lo?) desconfio que talvez queira imolar a perspectiva, talvez me conter numa gota de suor que corre agora e admirar, ainda admirar, ser a maravilha e o hematoma. Escreves como se cortasses o dedo no papel – eu recebi isso, mas dei o contrário, e com uma dose a mais de falta de perdão – ou de um valor superabundante e mortífero no ideal – fiz poesia com bronquite. Não faz mais parte da minha falta de perdão, mas isso não é assustador – ainda achar belo e quem sabe milagroso aquele barulho de respiração roncando, ou reparando em si mesma – mas eu não botei esse brincos; e esse batom? e esses diamantes? e esses lábios? e essa lona? Não precisou ser mendigo para ser achado louco quando veio e disse: tive que ir lá colar a bifurcação da cobra, mas a sua terrível perdição não compete com nenhum outro tesouro ou odisséia. Ainda um fluxo de nomes são amavelmente deixados no altar, e todos assumem uma tristeza abissal, sem ser feia como os peixes abissais. Mas um dia o mesmo mendigo veio de novo e disse, no cantinho, mas parece que sobrenaturalmente um microfone o fazia audível a tudo: a água, a água é tão feia.
O ser, que tem 17 anos e é adolescente, jamais, se fosse jovem, se diria: sou jovem. No entanto pronuncia “adolescente” sem arfagem, e isso faz parte das “estrofes inúteis”, das observações tolas, sem o que fazer, apesar de todo o principal e mesmo com a escola, a família... sentiu uma gostosura quando descobriu a palavra flato, eu sou kitsch e é óbvio que sou adolescente porque amo a palavra adolescente. “A única guerra que nos importa é a guerra contra a imaginação”, e tudo isso porque não sou ateu. Talvez nem ato mesmo.
Feito a palavra romã, que é tão mais gostosa que a romã, ou mentira: a cor da romã é mais nobre que a palavra, síndrome de palíndromo, e uma palavra que me constrói como quenga. Lírio pra mim que é dente-de-leão, e não lírio, dente-de-leão parece muito mais com o lírio do que lírico, solucei. Uma angina pectoris invisível, Meredith, Bianca, Sierra, Björk, Sigur, Jean e Jó. Pequeno Andro, Pequeno Príncipe, Mandrágora e Gino. Alice não tem nada antes. (Contigo também não tenho nada antes; nós criamos tão bem, alice. Essa é só uma pequena parcimônia que eu faço) Quero ser independente da coceira das minhas virilhas, Popeye. Mas só você Pequeno Urso, pode me ajudar.
A originalidade ganida em prantos exprimíveis de carne e falange, conforme escrevi, e continuo escrevendo, sendo esse gerúndio a verdade da fonte, mas o vício da minha imaturidade sempre descendente de Adão, a originalidade orada histérica, obstruída, incêndio e fôlego e glossolalia. Minha Primavera se compromete a esquecer e assume as pragas. As que tenho, as que crio, que me criam, que são cridas na guerra. Meu sêmen é abraçado pelo sangue do Cordeiro por trás longe de Ironia, e Blasfêmia, e Paz (você também é a sensação de que está ignorando o principal?) È como se o deserto exasperasse – e depois dele, depois de nada, depois de nada, depois de nada....nós fôssemos e fosse nosso

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