28/02/2010

o inraro

sutil? mas ele se aproximou do
prosaico
com um substantivo, não com o advérbio
que eu usaria “pacatamente” “milagrosamente” “bruscamente” “arrebatador” “simiesco” “Azrael”
com o único substantivo que continha,
o próprio nome e a própria substância
sem reclamar das memórias crocitantes
do cardume de folhas circundantes
gemendo e temendo, feito paisagem
de fim

de-modo-nenhum suspirou
na nudeza do prosaico
terminalmente outra e distinta
do nu nome praticando magnetismo
bobo
indolente aos campônios
inane aos frascos iniciados a tubos de ensaio rumo à origem
ignorante aos amantes às barcaças da sabedoria, ele sem modos
de modo que ele-apenas
só o

terminando o bastidor apocalíptico
e a travessia da montanha das palavras feitas das lágrimas de gaze de um demônio compadecido por si mesmo
e pelo tentado
ele, disfarçado de tecelão astronauta
por minha metáfora a fora – pela estrada
comovido, encerado,
surdo, pétreo,
desorganizado nos fiapos de um violino com refluxo – eu de três porquinhos
de mim casa nenhuma
e esse o espaço
simplório e de palha
porque sem mister simplório e miss palha
mundos e bolhas retrocedendo
e até a ciranda agourenta
de estações estancadas
na nervura das folhas
em leva varrida daquele-modo-nenhum
de-modo-nenhum meu órgão de suspiro
retrocedendo a gangrena
colado às vestes
do nome prestes
a cochichar

(expectorar e expectorar
é o meu mecanismo e o do ar)

vou me casar de bananas cozidas nos olhos
e a cauda do vestido a cauda da criança
no rastro indelével do céu freado de mim,
o libertador dos sinceros, mas que sutileza?
eu disse que era prosaico,
há contentes pelo deserto
por que não aqui
entre os seres criados?
meus mitos empalidecem e se esperançam
caem no chão, do marsúpio
reverência e angústia perdem
para a espontaneidade do gesto
a covardia é a única que tem peito aqui
com os quadris saltadores
pressionados para
até que se fixe, pluma
lama, lume
em seu bolero, em seu cochicho
é um abrigo, é o enfim

ele me ultrapassa, com a testa anuviada
ele se lê entre as dobras
e é como se os dedos não se enjiassem
e todo o resto do corpo é que obedecesse a esse intento
sob a soleira de água irisada
eu tenho uma nuca preciosa
e solteira
ele pode me apresentar seu filho e seus anjos, e suas folhas
que devem se quebrar antes de existir – eu não sei, eu sempre tentei saber
mas toda aquela areia é só um
monte de esfinges fodidas
que se derreteram, ou foram ao
seu encontro (o anteadão pós-diluviano)
tão desajuizadas
o juízo a justiça do contorno
de seus corpos
sem registro
em tão sem-mapa intimidade

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