01/11/2010

de quando fui expulso do púbis

alça minha consciência, menino guindaste, daqui eu não vejo o porquê de um pâncreas. pêlos de caranguejeira fazem eu não me olhar no espelho - eu me contorço e entro em convulsão e em coma e meus olhos enfosquecem-se e o espelho não é forte o suficiente para me pungir; quiçá ele fosse sansão, e no clímax a tragédia seria a futura citação de jânio quadros, vesga e humanista, ah eu não sei nada do do jânio mas eu só sei que ele é xará de um menino que já estudou comigo e tb que uma foto dele sempre mexia comigo quando eu abria um livro sobre profissões e ele estava lá na profissão de filósofo, eu destruí minha síntese mas eis-me moleque sobre as ruínas, já que eu não seja sansão, nem cristão, nem pagão, nem pago para chupar maçanetas num comercial illuminati. meu xilofone fecha os dentes e nada entra na boca - nada sai, nenhum sonzinho, nada se rende ao hotel dos poderosos, eu leio proust - meu elemento na sua lista vertiginosapática - e mil condes explodem e mil composturas recrudescem e nós dois podemos enxergar de longe no lugar dos rostos autóctones caudas draconianas de samambaias com tristeza; fala-se com raiva, com alegria; por que não com tristeza? me chame de fisiognomo, rosamaria murtinho fará um muxoxo com  seus lábios murchinhos e representará o que nos olhos daquele jânio fagulharam um truísmo. eu fui vulgar ao pronunciar xará? fenômenos parcos para um volante textual? a verdade é que nada sai dos dentes daquele talentosinho que se nega a mais um número ali na esquina, ele prodigiosamente expele amoras e ganha uns trocados, mas agora o céu arreganha uma desagradável samambaia de sete cabeças e dez chifres, e em cada uma dez diademas, diadema é uma palavra que eu sempre amei, mas antes eu achava que era blasfêmia amar as jóias da besta e então recuava prendendo o fôlego, eu sempre amei também "blasfêmia" e hoje eu não possuo fôlego nenhum mas alguns canos racharam por inanição do esgoto, você consegue me alçar? eu vi toda a decomposição do xilofone, ele era tão lindo, ele era alquimista, e suas sardas se dispersaram pra detrás dos meus olhos quando ele aconteceu, e eu passei a enxergar manchado e as manchas me esclareceram os mistérios, todos tinham gosto de amora, ele toca sempre em mim, você deveria ouvir mas isto não é mesmo possível! você me alçou de novo ou ainda é o primeiro arrebatamento? eu sei, é um milhão de cores para suspender e lançar à boca da temida 'mambaia. mas a minha garantia é que ela não tem boca, ela não é uma mandrágora, meu guindaste-bem! você é burro e eu sou formado em pêlos pubianos, desde que a formatura consistiu em ser um mandril, e o melhor de todos em mímica, numa pantomima difícil e cosmogônica, em que ele imitava as pedras do stonehenge, como se fosse um homem imitando,  um bípede criador de saponáceos e rádios, eu engrolei a língua mas eu degringolo e te digo o segredo, eu traio o mandril, afinal sou eu o quinhão vermelho e azul do seu rosto sugestível, ok. ok. está sendo tudo processado. o barulho do recibo regonga calmo pelas soleiras do firmamento, os parnasianos têm uma quedinha por mim e às vezes eu  me sinto como uma boneca possessa, arte pela arte, falo pelo falo, fetiche por fetiche e mendigo por mendigo, eu imagino como eles acharão ridícula a história sobre bonecas da xuxa possuídas, e serão bons evoluídos, essencialmente por ser verdade a história das bonecas. ou será invenção das próprias, elas mesmas as disseminadoras, das bocas de borracha o coral glorificando os péssimos dias das menininhas, da boca de borracha a própria cultura? ai, eu sou um atrapalhado. nem nostradamus me adivinhou! ele não previu que eu fosse o macho de blasfêmia, e o limoeiro triste por ser a prima materia do pano de chão exterminador do sêmen do meu pai, e de davi, e de sansão, e de safo e de cristo, oh guindaste - assim, oh guindaste, meu vocativo - meu menino piolhento e clean, daqui de ti eu não vejo a toleima do meu pâncreas. seria porque tu não és o guindaste que me alçou, e sim o meu menino-modelo que dele se jogou? nem meu e nem jogou, mas, sussurrando um trocadilho da clarice, se desprendeu e prendeu-se no poder do anticristo? seu linguarudo, você sabe que as caudas da besta são caldas de lagartixa. e eu não me lembro mesmo de ter pesadelos com elas: eu até uma vez sonhei com uma subindo por meu bumbum esquerdo, e soletrava "minha samambaia" em turco, só o guindaste vê o ovo, meu varão, só o guindaste! e não és ele. meu varal. meu varal, deixa eu prender minha consciência em você pra ela secar (o repasse do meu espírito corre muito calmo; você escuta todos os tickets e senhas sendo processados, escuta a calculadora e o bruxismo do agiota, a técnica decorre munida de um verdadeiro aparato da fluidez. o bibliotecário já está de olho em mim, ele me quer na sua estante e vai me roubar do seu filho custe a depressão do clã, seu filho paga por mim e sou sua boneca inflável de hélio, ou... o ken deste maçon com sentimentos que nunca deixou de sonhar com seu power ranger vermelho lindo de morrer - durante toda esta calmaria só eu objeto - eu objeto, eu grito, eu grito como um objeto e não há passividade na curva desta parábola que me bumerangue) você me chamou de linguarudo mas depois dos rabos partidos da lagartixa eu não me arrepio com mais nadinha. então eu quero que o sol me estupre. daqui de você, estendido, percebido e esperando. veloz feito um arqueoptérix, ele ainda não chegou. seria porque tu és o sol, meu varal delgado de luz? o sol cantando í gær, como jónsi jamais cantou? és tu o jónsi?

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