o que você está lendo?
o que você está lendo?
repita comigo adoravelmente
o que você está lendo
não, repita consigo,
pergunte pela primeira e última vez
o que você está lendo?
eu juro não incomodar com meus sonhos
a única vez é sua
a minha não passou, você está me perguntando
você está me pressionando de volta
ato reflexo, maçã na cabeça, narciso e espelho
existem tantos nomes e uma só coceira
eu
habito
em meus botões
eu escapo um pouco
quando seus dedos apertam meus botões
o cachorro começa a latir
o gravador começa a falar
para minha surpresa e salvação
eu noto que o seu gravador
começa a gravar
não tenha medo da pequena tendência à apoteose,
meu joelhinho
o que adianta se ela não tem dentes?
se ela é longeva e doente, doente, doente
meu nome começa com K
o meu começa com T
eu te derrubo e dá pra morar em você
eu viro você de cabeça pra baixo e temos já a nossa antena
eu sonhei sonhos completos
eu sonhei sonhos completos
o quê?
o quê?
olha aquele moleque ali
meu deus, ele está lendo tarô
o tarô que ele acaba de inventar
ainda sem qualquer efeito
vamos apedrejá-lo com efeito?
ai, ai
cinza-vermelho, cinza-laranja, cinza-amarelo
cinza-verde, cinza-maduro, cinza-podre,
cinza-azul, cinza-índigo, cinza-violeta
eu estou esperando o chão apodrecer
preto aborrecido pálido e perneta
branco peludo, seu couro cabeludo visível
já está na idade da poeira se enforcar
papai, você vai pagar minha formatura?
eu dei ao chão de beber
eu só tinha chá de boldo
e livros preferidos
meu filho fatídico,
eu chupo toda a sua preocupação
e cuspo ao chão
meu filho fanático
meu chão asmático
seu pulmão cheio de tocos de cigarro
beija muito mal
a boca diagonal
aprende mal
que há uma palavra depois de ressurreição
é a sua ação, é o seu rap
na quermesse triste, triste, triste
sadio, sadio, sadio
convalescente e valente três mil vezes
sua cor é cunda
seu coma é um banquete
por que eu insiro sempre o elemento terrorista?
por que eu não penso no bem do poema?
porque você nunca pensa no seu mal, meu fonema
se você chegou até aqui procurando o prazer final
volte aos refrões há 150 palavras atrás
há uma palavra além de mestre
leia meu diário cheio de besteiras,
lá eu ensino a quem -
lá eu vivo com quem -
26/10/2010
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