21/10/2010


eu tenho medo de ser tão abstrato?
eu tenho medo de dizer como se outro dissesse?
você me aconselha a fazer poesia pra Deus?
eu não deixo de medrar porque não sou verde
a palavra degringolar é uma manhã atravessada nas olheiras do meu fêmur
ou o peru sem o enigma ridículo do peru (exata e solitariamente com ele)
as coxas são mártires que se apagam com borracha?
você “diz sim” à ressurreição?
“sim”?
com um conta-gotas o olho de um coelho dentro do esôfago do sátiro triste
é feito
e com uma flor eu posso aniquilá-lo?
lá-lo?
você salva o sátiro?
eu me vicio na tristeza e o sátiro me escreve em lamentação sem muro
porque desde que eu tirei sua tristeza e me entristeci
ele está triste ele anda triste ele anda triste por mim?
por que o eco irredimível não se mata?
lá-lo. ?

cada pergunta é um jeito leviano de se deixar possuir pelo charme que cria tudo?
coisa de fresco, coisa de fresco?
falso violentado eu e meu narciso quasímodo? quase
quasímodo, urtiga mediana, pedra angular de azeite
Papa Papel Crepon?
Esmeraldo o nome do meu filho de âmbar, uma bicha letárgica,
e eu amo e insuflo olímpicas vitaminas na letargia agora e para sempre dinastia
meu carinho holístico a substância imprópria aos deuses
minha lascívia o deus desconhecido de Baco?


cada sinuoso suor de angústia que indaga a adaga
que pergunta ao odre que responde por ele com água
mas a água não é minha, a água é íngua
cada pesquisa é uma pedra que tropeça na imobilidade eclipsal
do ente em calvário
transformado num astro que come cabelos e os rumina e os esconde
no corpo prenhe de translucidez no corpo copo capciosamente encapsulado
na dispersão
portador da mentira portátil
que tenta chocar um só ovo do sapo que ainda é só um halo solar?

os ventres tem cheiro de formiga pressionada contra as santíssimas bochechas do espírito?
todas vivas agindo?

quem me compele? eu não estou perguntando.
quem me frita? eu não estou perguntando.
quem me destripa e enche de morangos e
flocos de pecado de pardal meu interior quedado?
por que sou inatural? por que quero saber?
eu não estou perguntando, e mais uma elegia: eu não
estou perguntando, e mais um idílio: eu não estou perguntando
o que é o leste? eu não estou enchendo sua paciência, ocidente?
você deseja que eu queira saber a partir do próprio lestíssimo ponto?
impacientemente ou lavando minha castidade com bolhas,
não não se desvie não água e sabão, mas bolhas
não se desvie de ser tardio eu não não me desvio bolhas e um andróide
magnífico
construído com bolhas à pilha

quem brame em sofisma que tão doce ao menos é uma cócega queimando,
e depois soluços eternos, os soluços eternos,
pequerrucho eterno

um bojo se personaliza com mau-gosto agudo. as larvas por dentro excretam pétalas selvagens que te revelam a sorte passada. imediatamente as pétalas sublimam as mães. seus olhos não estão na altura da sua boca, e portanto não podem ver a carta do eremita sobre os lábios. por que seus olhos têm gosto de respiração boca-a-boca? nenhum outro sabor aborígene, nenhum sabor abortado, apenas uma vitória silenciosa, um soro, um choro, um bolor e rugas de neon

eu tenho medo de ejacular como se outro fosse
esporádico?
vesgo? vesgo debaixo da cama?
meu amor, te escrevo porque minha vesguice está em coma. salva-me.

ah eu não deixo você morrer da sua alergia de respirar
eu não sou poderoso tô nem aí não quero saber eu não
deixo, o bandolim é mim
tenta me banir com uma cantiga!

você me arranha com leite? leite materno? leite em pó do inferno? leite de soja do meu câncer de mama?
eu sou menino e olha o câncer que eu fui ter. meus peitos existem?
não acredito que você acha meu coma muito insolente.
você todo vai ser meus mamilos novos e uma nova vida?
você todo feito um rodo com dentes?
rastelo, é tão lindo o nome do meu castelo – convalescença o nome do seu?
não, você é cada um dos meus mamilos fraternalmente recíprocos
TÔ BRINCANDO! EU NUNCA TE CHAMARIA DE NENHUM DESSES AMIGOS!
mas como eu vou ler esse poema com uma criança aqui do meu lado, eu, dez anos, loiro e usando papel higiênico?
olha como eu sou arrogante com esse “criança”! olha como eu sou infantil!

por que você não bota o tímido pra dançar?
a sua misericórdia é tão concentrada a ponto de ser ela mesma um deus
só pra isso?
eu te mostrei um trecho do livro que eu mais amo, mas você leu outro por daltonismo.
e o outro era mais lindo
ai?

claustrofóbico
e esplêndido
como comprar assim
um churro pra nós?



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