http://www.youtube.com/watch?v=UJPgWW3MKUY&feature=related
é o meu filho que vem de repente
não sei de que dolmen
com a boca brilhante
do corpo de um ratinho
ou de um roedor nato
como uma cobra-cega -
da casa de chá atualmente casa funerária
onde as paredes choram terra
e tudo se fecha
e é a boca do meu filho
o que nunca se fecha
e é a minha o que trepida
sem agouro
talvez sentindo deslizar
por sobre a pele o rosto
de uma minhoca-da-guarda hesitante;
sou eu que vai
para herdar
a saudade que ele criou
quando nós imitamos montanha
com meu esqueleto espelhado para o esqueleto dele
o que não é o espaço para o parêntese triste;
é o meu filho contando
com a minha garganta
sobre a feição das paredes
sem roçarem um pouco sequer
na amada
ela nunca roçará nem a nossa
bochecha
nunca picará mais que um palíndromo
nunca acertará como uma fractal
e por sua vez a fractal nunca será imperfeita
aos pés da cobra
e vamos não fechar
eu usei personagens
uma vez descartados
cobra-cega-tu-que-morres
chá-arco-puro
pã-anca-escadaria
lendo-nômade-vendo-minha-cólica
devolvo-à-mim-mesmo-estupro
nós-muros
Fecha-Espelho vem aí
escondam-se xícaras e forcas
só alguém abominável assim
chega com esse recado
Até mesmo em teus esconderijos
A parcela se fornece
À montanha de música
Não é de outra coisa
Quem por ela canta
16/06/2010
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